AVISOS

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Bolsa de mãe



Nunca cesso de ser surpreendido pelo que uma mãe pode achar em sua bolsa. Há aquelas coisas típicas, como lenços de papel para um nariz entupido, moedas de cinqüenta centavos para maquinas de balas, um cartão da biblioteca para a devolução de um livro. Mas há também aquelas coisas incríveis, como uma bola de praia inflável, um mapa do país inteiro e uma coleção de remédios que podem curar qualquer doença!
Aposto como as mães aprendem desde cedo que devem estar preparadas. Tudo começa com aquela sacola de fraudas com um monte de zíperes e compartimentos para serem cheios, a fim de que mãe nenhuma seja pega desprevenida, quando o vomito (ou outra descarga mais desagradável) arruinar a roupa e ameaçar acabar com o passeio. A começar daí, as mães parecem saber como preparar as mochilas para a escola, as bolsas esportivas para os jogos, as maletas para o acampamento, com toda e qualquer coisa que possa ser necessária.
Bem, eu nunca carreguei uma bolsa, mas nunca fui alguém de viajar sem bagagem.
Eu tentei. Acredite-me, tentei. Porem, desde que levantei três dedos no ar, e fiz juramento dos escoteiros, prometendo estar preparado, determinei-me a ser exatamente isso: preparado. Preparado para um bom mitzvah, uma apresentação de bebê ou uma festa a rigor. Preparado para saltar de pára-quedas atrás das linhas inimigas, ou entrar numa competição de críquete. E, para o caso de o Dalai Lama estar em meu vôo e convidar-me a jantar no Tibete, carrego raquetes de neve. É preciso estar preparado.
Não sei como viajar sem barras de cereal, sodas, e equipamento de chuva. Não sei como viajar sem lanterna elétrica, um gerador e um sistema de rastreamento global. Não sei como viajar sem uma caixa de isopor com salsichas vienenses. E se eu topar com um cachorro de fundo de quintal? Não levar nada para a festa seria indelicadeza.
Não sei como viajar sem bagagem. Mas preciso aprender.
Preciso aprender a viajar sem bagagem.
Você está se perguntando por que não posso. Liberte-se!, você está pensando. Não se pode aproveitar uma viagem carregando tantas coisas. Por que você simplesmente não larga toda essa bagagem?
Brincadeira? Você deve estar indignado. E eu gostaria de inquirir o mesmo de você. Você também não é famoso por carregar alguns itens desnecessários?
Possivelmente, você o fez esta manhã. Em algum lugar entre o primeiro passo ao sair da cama e o ultimo passo ao sair pela porta, você estufou a bolsa. Não era uma bolsa de couro, mas aquela da mente. E você não a encheu com livros, ou bandaids, ou guloseimas; você a encheu de encargos. O tipo de encargo que as mães carregam.
A valise de culpa. Um saco de desgosto. Você acomoda a grossa sacola de fadiga sobre um ombro, e pendura a bolsa de aflição no outro. Não admira que você esteja tão cansada ao final do dia. Transportar este tipo de bagagem é exaustivo.
O que você estava dizendo a mim, Deus está dizendo a você: “Arrie a carga. Você está carregando pesos que não tem de suportar”.
“Vinde a mim”, convida Ele, “todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11:28).
Se nós permitirmos, Deus tornará mais leve o nosso fardo. Porem, como permiti-lo? Posso convidar um velho amigo a mostrar-nos? Os primeiros versículos do Salmo 23.

O Senhor é o meu pastor;
nada me faltará.
Deitar-me faz em verdes pastos;
guia-me mansamente a águas tranqüilas.
Refrigera a minha alma;
guia-me pelas veredas da justiça
por amor do seu nome.

Você esteve lotando a bolsa com alguns dos seus encargos? Você acha que Deus pode usar o salmo de Davi para aliviar a sua carga? Aliviar a bagagem significa entregar a Deus as suas cargas para as quais não foi destinada.
Por que você não tenta viajar sem peso? Tente-o por amor daqueles a quem você ama. Você já considerou o impacto que um excesso de bagagem tem sobre um relacionamento? Temos tratado disto em nossa igreja através de um drama. Encenamos um casamento no qual podemos ouvir os pensamentos do noivo e da noiva. O noivo entra, carregado de bagagens. Um saco pendurado em cada braço e perna. Em cada saco um letreiro: culpa, ira, arrogância, insegurança. Este companheiro está carregado. Enquanto ele se posiciona no altar, o auditório ouve os seus pensamentos: Finalmente, uma mulher que me ajudará a carregar toda esta bagagem. Ela é tão estável, tão forte, tão...
Enquanto seus pensamentos prosseguem, os dela começam. Ela entra usando um vestido de noiva, mas assim como o noivo, coberta de bagagens. Puxando uma sacola, uma bolsa a tiracolo, um estojo de maquiagem, um saco de papel – tudo que você puder imaginar, e cada coisa etiquetada. Ela tem a sua própria bagagem: preconceito, solidão, desapontamentos... E a sua expectação? Ouça o que ela está pensando: Mais alguns minutos, e eu terei um marido. Nada mais de conselheiros. Nada mais de terapia em grupos. Adeus desencorajamento e preocupações. Nunca mais os verei. Ele vai tratar de mim.
Finalmente, eles põem-se no altar, perdidos numa montanha de bagagens. Eles sorriem um para o outro durante a cerimônia, mas quando são convidados a beijar-se, não o podem fazer. Como abraçar alguém, se os seus braços acham-se repletos de fardos?
Por aqueles a quem você ama, aprenda a depor a carga. E por amor ao Deus a quem você serve, faça o mesmo. Você sabe, Ele quer usar você. Porem, como poderá fazê-lo, se você está exausta? Esta verdade atingiu-me ontem à tarde, numa corrida. Preparando-me para correr, eu não podia decidir o que usar. O sol estava fora, mas o vento estava frio. O céu estava claro, mas havia previsão de chuva. Casaco ou moletom? O escoteiro dentro de mim prevaleceu. Vesti ambos.
Peguei meu walkman, mas não conseguia decidir o que levar. Um sermão ou uma musica? Adivinhou. Levei ambos. Precisando estar em contato com as minhas filhas, levei um celular. Para que ninguém roubasse meu carro, embolsei as chaves. Numa precaução contra a sede, levei comigo uma pochete com algum dinheiro para refrescos. Parecia mais um burro de carga que um corredor! Com menos de um quilometro, eu estava tirando o casaco e escondendo-o num arbusto. Esse tipo de peso diminuía minha marcha.
O que é verdade em corrida é verdade na fé. Deus tem uma grande corrida para você participar. Sob cuidado dEle, você irá onde nunca esteve, e servirá de maneiras que jamais imaginou. Contudo, terá de largar alguma coisa. Como você pode oferecer conforto, se está desalentada? Como levantar a carga de alguém, se os seus braços estão carregados com a sua própria?
Por aqueles a quem você ama, viaje sem bagagem.
Pelo Deus a quem você serve, viaje sem bagagem.
Há certos pesos na vida que você simplesmente não pode carregar. O seu Senhor está lhe pedindo para largá-los e confiar nEle. Ele é o pai que reivindica a bagagem. Quando um pai vê o filho de cinco anos tentando puxar da esteira rolante a mala da família, o que ele diz? O pai dirá ao filho o mesmo que Deus está dizendo a você:
“Largue, filho. Eu a carregarei”.
De qualquer modo, posso ter exagerado sobre a minha bagagem. (Geralmente não carrego raquetes de neve). Mas não posso exagerar sobre a promessa de Deus: “Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1 Pe 5.7)
Fonte: Retirado do livro "Aliviando a bagagem para as mães" - Max Lucado. Disponível para download aqui no site.

Em Cristo,
MCA da Igreja Batista Monte Tabor.

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